quinta-feira, 20 de junho de 2013

Algures

      Uma folha de papel branca vazia. Tanto para escrever. Tanto para dizer. Nada sai. Sentada na sua cama, pensa no seu próximo texto. Falta-lhe qualquer coisa mas não sabe o que. Decide levantar-se da cama e ir tomar um banho. Nada lhe veio à memória. Tomou o seu pequeno-almoço, bebeu o seu café e fumou o seu pensativo cigarro. Nada. Vestiu o seu fato para o trabalho e saiu de casa. Olha à sua volta e vê o mesmo de sempre. Multidões a correrem de um lado para o outro para chegarem ao seu destino. O céu? Igual a todos os dias de Inverno. A paisagem? Poluída de tantos carros, autocarros e táxis a andarem para trás e para a frente como se não houvesse amanhã. Nada que desperta-se a sua curiosidade ou interesse. Chegou ao trabalho, cumprimentou todos os seus conhecidos e pôs-se a trabalhar. O dia todo se passou e mesmo assim faltava-lhe aquele bichinho para escrever. Saiu do escritório, foi para um café próximo, pediu um café e fumou outro cigarro. Até que teve uma ideia. Pegou no seu carro e decidiu ir para um destino sem estar programado com o seu portátil atrás. Chegou. O cheiro da maresia dava-lhe um sentimento de paz. Ligou o rádio do carro e sentou-se no muro à beira da praia. O céu estava limpo. As estrelas brilhavam ao lado da imponente lua cheia. Até que, finalmente, veio aquilo que ela precisava. Inspiração. Começou a escrever como se a noite lhe pudesse fugir e nunca mais voltar. Acabando, lágrimas percorreram-lhe o rosto. Limpou-as. No dia seguinte entregou o texto. Recebeu os parabéns de todos. Querem saber qual era o texto? Era este...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Quero


Fugir daqui para longe, sim. Pegar nas minhas asas de papel e voar pelo horizonte, sem medo. Sem medo de mágoas, de sofrimento, nada. Apenas a pura paz e felicidade. Não é isso que todo o Homem sonha? Não digam que não, pois é a verdade mais verdadeira e mais perseguida. Até aqueles que dizem que é melhor estarem abandonados do mundo e sozinhos que não merecem nada. Esses sim, gritam por ajuda dentro deles. Alguém que os apoie, que os anime, que lhes dêem um sorriso. Posso-vos dizer que sou uma dessas personagens da nossa sociedade. Prefiro ver os outros felizes do que a mim mesma. Feitio estúpido e irritante. Já levei muitas facadas no coração e sei que dói. Mesmo aquelas pessoas que já me magoaram, tentei protege-las de sofrerem como já sofri. Mas é difícil proteger toda a gente. Tem de se fazer escolhas. A minha escolha é encontrar alguém que me compreenda em todos os sentidos e que me faça feliz. Pena não existir ninguém assim. Pena eu estar a desistir daquilo que mais quero. Já não há forças. As minhas asas de papel estão molhadas. Molhadas das minhas lágrimas. Lágrimas que não cessam. Uma coisa que ultimamente as pessoas fazem muito é pedir desculpa. Pedir desculpa já não serve de nada, é preciso agir! Este devia ser o lema para mudarmos o mundo. Mudar tudo! Matar a fome uma vez por todas, combater o crime de todo o planeta. É tudo uma questão de vontade. Poderia ser tudo tão perfeito. Bastava nós querermos. Foi-nos dado tudo e não aproveitámos nada. Deitámos tudo a perder… Dizem que tentaram e que fizeram os possíveis. Mentira! Tudo mentira! É sempre possível fazer algo, nem que seja engolirmos o nosso estúpido orgulho e a mortal vaidade que não nos deixa ser quem realmente somos. É como uma máscara para tapar os nossos medos e as nossas fraquezas. Há pessoas que a única coisa que lhe interessa nesta vida é o dinheiro. Dizem que o dinheiro compra tudo agora. Basta fazer o que lhes pedem e têm a sua recompensa. Não interessa se está bem feito ou não. O que interessa é tê-lo no fim do mês. Quem sofre no meio disto tudo somos nós, povo pobre mas honesto, mas que o deixamos de o ser por vezes para também receber uma parte dessa cobiçada recompensa. O tempo corre, ninguém o apanha. Pensamos que temos a vida toda pela frente, mas estamos tão enganados. É preciso viver o agora senão pode ser tarde demais.