Fugir daqui para longe, sim. Pegar nas minhas asas de papel
e voar pelo horizonte, sem medo. Sem medo de mágoas, de sofrimento, nada.
Apenas a pura paz e felicidade. Não é isso que todo o Homem sonha? Não digam
que não, pois é a verdade mais verdadeira e mais perseguida. Até aqueles que
dizem que é melhor estarem abandonados do mundo e sozinhos que não merecem
nada. Esses sim, gritam por ajuda dentro deles. Alguém que os apoie, que os
anime, que lhes dêem um sorriso. Posso-vos dizer que sou uma dessas personagens
da nossa sociedade. Prefiro ver os outros felizes do que a mim mesma. Feitio
estúpido e irritante. Já levei muitas facadas no coração e sei que dói. Mesmo
aquelas pessoas que já me magoaram, tentei protege-las de sofrerem como já sofri.
Mas é difícil proteger toda a gente. Tem de se fazer escolhas. A minha escolha
é encontrar alguém que me compreenda em todos os sentidos e que me faça feliz.
Pena não existir ninguém assim. Pena eu estar a desistir daquilo que mais
quero. Já não há forças. As minhas asas de papel estão molhadas. Molhadas das
minhas lágrimas. Lágrimas que não cessam. Uma coisa que ultimamente as pessoas
fazem muito é pedir desculpa. Pedir desculpa já não serve de nada, é preciso
agir! Este devia ser o lema para mudarmos o mundo. Mudar tudo! Matar a fome uma
vez por todas, combater o crime de todo o planeta. É tudo uma questão de
vontade. Poderia ser tudo tão perfeito. Bastava nós querermos. Foi-nos dado
tudo e não aproveitámos nada. Deitámos tudo a perder… Dizem que tentaram e que
fizeram os possíveis. Mentira! Tudo mentira! É sempre possível fazer algo, nem
que seja engolirmos o nosso estúpido orgulho e a mortal vaidade que não nos
deixa ser quem realmente somos. É como uma máscara para tapar os nossos medos e
as nossas fraquezas. Há pessoas que a única coisa que lhe interessa nesta vida
é o dinheiro. Dizem que o dinheiro compra tudo agora. Basta fazer o que lhes
pedem e têm a sua recompensa. Não interessa se está bem feito ou não. O que
interessa é tê-lo no fim do mês. Quem sofre no meio disto tudo somos nós, povo
pobre mas honesto, mas que o deixamos de o ser por vezes para também receber
uma parte dessa cobiçada recompensa. O tempo corre, ninguém o apanha. Pensamos
que temos a vida toda pela frente, mas estamos tão enganados. É preciso viver o
agora senão pode ser tarde demais.
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