domingo, 10 de novembro de 2013


Sem título...



Mais um dia de trabalho findado... Dirijo-me para a estação de comboios. Enquanto espero pela partida, fumo um cigarro. Chove imenso e troveja. Não estava quase ninguém na gare. Um sujeito alto, todo vestido de preto, vem na minha direcção. Poe-se ao meu lado.
- Sabes que é feio um anjo fumar, não sabes?
Não liguei. Continuei a fumar o meu cigarro.
- E sabes que também é feio ignorar as pessoas, não sabes?
Afastei-me. Não estou com paciência para aturar malucos. Veio atrás de mim. Olhei para o céu e vi que as gotas da chuva estavam suspensas no ar. Olhei para trás e vi aquele lunático a olhar para mim com ar de gozo.
- Mas estás a rir-te do que? Tenho cara de palhaça por acaso? - Gritei-lhe indignada.
- Não, mas estou a gostar do teu olhar de pânico por veres que fiz com que a chuva ficasse suspensa no ar.
- Sim, sim, está bem, e agora és Deus, queres ver?
Mal eu acabei de pronunciar estas palavras, ele estica o braço e volta a chover.
- Deus não sou, porque só existe um. Eu sou apenas um anjo dEle.
Fiquei petrificada. O que raio se está a passar aqui?
- Eu não acredito em Deus. E o que tu fizeste foi apenas uma ilusão para me impressionares.
- Mas devias, visto que foi ele quem te criou. E se não acreditas que fui mesmo eu que fiz isto o que é que eu tenho de fazer para acreditares em mim?
- Eu não preciso nem quero acreditar em ti porque eu não te conheço de lado nenhum por isso adeus...
Virei-lhe costas mas ele estava novamente à minha frente.
-Não sei se tu percebeste mas eu não falo com lunáticos.
- E eu acho que também ainda não percebeste mas eu tenho a missão de falar contigo.
- Então olha , vais falhar a missão porque eu nunca te vou passar cartão, está bem?
Virei costas novamente e entrei no comboio que entretanto tinha chegado. O lunático não entrou. Segui a minha viagem para casa sem pensar muito sobre o que se tinha passado.
Chego a casa e abro o correio. Vejo uma carta em branco com o meu nome escrito. Abro a carta e começo a ler.
Tenho pena que não tenhas acreditado em mim, mas acredita que não vou falha na minha missão. O lunático, como gostas de me chamar.”
Fiquei 5 minutos a ler e a reler. Como e que ele sabe onde é que eu moro? É algum perseguidor? Não posso ligar a polícia porque não sei o nome dele nem lhe vi bem a cara. Tenho de ter mais cuidado a andar na rua. Peguei na minha arma e meti-a na mala para o dia seguinte.
Passaram-se meses desde aquele encontro e carta macabros, mas continuava com medo de estar sozinha na rua. Nunca falei da situação da carta a nenhum dos meus amigos e a do encontro muito mal contada.
Hoje faço 25 anos. Decidi ir celebrar com as minhas amigas a um bar perto de minha casa para poder beber à vontade. A caminho de casa, deixo uma amiga em casa do namorado porque tinha bebido demais e não se sentia bem. Perguntou se eu precisava de boleia para casa mas recusei e agradeci. Apetecia-me estar sozinha.
Estou quase a chegar a casa, quando vejo um vulto negro a passar por mim. Meto a mão na mala à procura da arma. Apanho-a. Olho em meu redor para ver se não está ninguém a seguir-me. Não vejo ninguém. Começo a sentir-me gelada. Como é que é possível se estamos no meio do Verão? Começo a correr em direcção à porta da minha casa e vejo uma figura negra a bloquear a minha porta. Tiro a arma da mala e aponto para o sujeito.
-O que é que pretende da minha casa? Saia daí imediatamente antes que eu dispare!
Não se moveu.
-Não me está a ouvir? Saia daí ou eu disparo!
Continua imóvel.
-Vou contar até três para você sair daí! Um... Dois...
Quando ia para dizer o três, o vulto começa a correr na minha direcção e eu disparo. Acerto em cheio no peito. O vulto negro cai ao chão. Aproximo-me do sujeito para o identificar, com cautela. De repente, levanta-se como não tivesse sido nada.
- Sabes que essas coisas aleijam, não sabes? Principalmente a pesssoas que te querem bem.
Fiquei em choque. Eu reconheço aquela voz! É do lunático! Como é que eu lhe dou um tiro e ele está como se nada fosse?
- Como é que descobriste onde morava? Andas a perseguir-me é? A mando de quem?
-De Deus. Ele pediu-me para te dar uma mensagem. Não te lembras que tenho uma missão a cumprir?
Continuava em estado de choque. Como e que este lunático está bem depois de ter levado um tiro? Será que... Será que será mesmo um anjo? O anjo que eu via todas as noites nos meus sonhos de criança?
- Sim Mia, eu sou o anjo que te protegia nos sonhos. Agora já acreditas em mim?
O quê? Agora também ouve os meus pensamentos? Sinto-me a desmaiar. Ele corre na minha direcção e apanha-me.
- Mia eu sei o que tens passado e eu quero explicar-te tudo o que te tem acontecido. Mas para isso tens de deixar que eu me aproxime de ti... Eu já não sei mais o que tenho de fazer para acreditares em mim...
Começo a chorar. Ninguém sabe aquilo que tenho ultrapassado na minha vida, nem mesmo as pessoas mais próximas de mim. Muitas delas já tinham posto uma bala na cabeça. E eu não sei porquê, continuo aqui como se nada fosse, como se nada tivesse passado, tentando viver uma vida normal. Se é difícil? Não sabem o quanto. Mas tenho que ser forte por algumas pessoas, sendo eu própria una delas.
-Mas afinal o que é que Deus quer de mim? Castigar-me por nunca ter acreditado nEle? Acho que já estou a pagar o suficiente pela merda de vida que tenho tido, não achas?
-Ele não te está a castigar Mia... Tu és um anjo caído que agora está a ajudar os outros e Deus tem dado todo o apoio possível para que tu cumpras a tua missão aqui na Terra...
-E era preciso eu sofrer isto tudo? Eu tenho tanta vontade de morrer que nem imaginas...Porque é que achas que eu tenho a arma?
-Eu sei bem o porquê. Por isso é que Deus me enviou para que não cometesses nenhuma loucura. Porque Deus fez-te mais forte que todas as pessoas normais. E a tua missão aqui é fazeres o mais bem possível na vida das pessoas e deixares a tua marca na Terra. Cada um tem a sua missão aqui. A tua é espalhar a bondade e marcares a diferença. Tal como tu fizeste na minha. Não foi Deus que me mandou guiar-te nos sonhos. Eu já sabia na mulher que te ias tornar e apaixonei-me por ti, pelo ser humano que és. Só depois é que descobri que eras um anjo de Deus. Aí, percebi tudo...
-Desculpa ter-te o dado o tiro... Mas assustaste-me tanto... E eu não percebo essa missão. Eu faço porque é o meu instinto me diz para o fazer. Eu nunca tive muitos amigos e nunca percebi bem o porquê...
-Não tem problema. Tu sabes bem que há pessoas que simplesmente não valorizam o que tem, nem sabem o que é que tem nas mãos...
-Mas explica-me... Porque é que tive que sofrer tanto, porque é que tenho de sofrer tanto? Porque é que ninguém me compreende? Porque é que sou tão recriminada?
- Porque as pessoas não estão habituadas a lidar com anjos....
Ao dizer isto, aproxima-se de mim e beija-me... Parece que estou à horas colada aos lábios dele... Sinto uma paz interior que nunca tinha sentido...
-Agora vou ter de ir... A minha missão aqui está feita... Amei conhecer-te Mia... E vamos voltar a encontrarmo-nos... Mas quando estiver na tua hora aqui na Terra... Aí terei todo o prazer de te vir buscar pessoalmente. E lembra-te sempre... Eu e Deus estamos lá em cima para te proteger...
- Não vás! Fica aqui comigo por favor!
-Mia o meu lugar não é aqui e Deus precisa de mim lá em cima... Toma, isto é para te lembrares de mim.
Entregou-me um lírio branco. Ao entregar-me, abriu as asas e voou em direcção ao céu.


Halimede, 08/11/2013

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Baile de Máscaras

                Havia um baile de máscaras na cidade. Decidi ir, mas sozinha. Precisava de me afastar de tudo e de todos e de refrescar as ideias.
                Cheguei. Olhei à minha volta e havia todo o tipo de máscaras. Umas que só cobriam os olhos. Outras cobriam toda a face. Uma delas era a minha. Era branca com adornos pretos. Quem comandava a dança e a música era um sujeito vestido de negro.
                Entrei no ritmo da música. Dancei com várias pessoas e saí. Um rapaz veio falar comigo. A sua máscara só tapava os olhos. Era moreno, olhos castanhos, de estatura média. Convidou-me para dançar. Aceitei. Dançámos e dançámos. De repente, ele vai-se embora. Fico triste.
                Olho com mais atenção para as pessoas que estão no baile. Parecem-me um tanto familiares.
            O sujeito vestido de negro ergue a cabeça. Usava uma máscara que tinha um formato de uma caveira. Fico com medo. A máscara cai-me. As pessoas começam a olhar para mim. As máscaras delas também começam a cair. São todas as pessoas que conheço. Mas tinham algo de diferente. O seu olhar estava frio e morto. O sujeito da caveira grita com um tom demoníaco e ri-se. Diz ser a Morte. Não consegui perceber mais o que ele dizia. A multidão estava em cima de mim a sufocar-me. Até que não consegui respirar. Fecho os olhos lentamente e adormeço para sempre.


Just... Be!

     Be positive, be active, be free, be awesome, be smart, be relax, be wild, be cool, be crazy, be young, be sweet, be loved, be hated, be strong, be optimist, be my friend, be my boyfriend, be my enemy, be my lover, be my drog, be my music, be my inspiration, be my sky, be my star, be my moon, be my sun, be my angel, be my planets, be a miracle, be a hope, be happy, be understanding, be joker, be imaginative, be misunderstood, be angry, be the elite, be peaceful, be conscious, be the light, be the darkness, be a dreamer, be the middle, be all, be nothing, be someone, be something! Be you… Be me!@

Algures

      Uma folha de papel branca vazia. Tanto para escrever. Tanto para dizer. Nada sai. Sentada na sua cama, pensa no seu próximo texto. Falta-lhe qualquer coisa mas não sabe o que. Decide levantar-se da cama e ir tomar um banho. Nada lhe veio à memória. Tomou o seu pequeno-almoço, bebeu o seu café e fumou o seu pensativo cigarro. Nada. Vestiu o seu fato para o trabalho e saiu de casa. Olha à sua volta e vê o mesmo de sempre. Multidões a correrem de um lado para o outro para chegarem ao seu destino. O céu? Igual a todos os dias de Inverno. A paisagem? Poluída de tantos carros, autocarros e táxis a andarem para trás e para a frente como se não houvesse amanhã. Nada que desperta-se a sua curiosidade ou interesse. Chegou ao trabalho, cumprimentou todos os seus conhecidos e pôs-se a trabalhar. O dia todo se passou e mesmo assim faltava-lhe aquele bichinho para escrever. Saiu do escritório, foi para um café próximo, pediu um café e fumou outro cigarro. Até que teve uma ideia. Pegou no seu carro e decidiu ir para um destino sem estar programado com o seu portátil atrás. Chegou. O cheiro da maresia dava-lhe um sentimento de paz. Ligou o rádio do carro e sentou-se no muro à beira da praia. O céu estava limpo. As estrelas brilhavam ao lado da imponente lua cheia. Até que, finalmente, veio aquilo que ela precisava. Inspiração. Começou a escrever como se a noite lhe pudesse fugir e nunca mais voltar. Acabando, lágrimas percorreram-lhe o rosto. Limpou-as. No dia seguinte entregou o texto. Recebeu os parabéns de todos. Querem saber qual era o texto? Era este...