sábado, 18 de outubro de 2014

Amo-te e não sabes quem eu sou.
Amo-te e não sabes da minha existência.
Amo-te pela tua maneira de ser.
Amo-te pelo amigo presente que és para todos.
Amo-te pelo filho exemplar que és.
Amo-te pela maneira como a tratas.
Amo-te por esses teus olhos me cegam.
Amo-te por esses teus lábios que me enfeitiçam.
Amo-te por esse teu corpo que me faz tremer.
Amo-te porque sei que íamos ser felizes.
Amo-te porque sei que nos íamos magoar mais que muito.
Amo-te por tantos motivos.
Amo-te por motivo nenhum.
Amo-te e eu vou-me embora.

Amo-te e nunca o vais saber

terça-feira, 8 de julho de 2014

Um dia...

Um dia quero saber o que é ser a melhor amiga
Um dia quero saber o que é ser desejada
Um dia quero saber o que é ser especial
Um dia quero saber o que é ser ouvida
Um dia quero saber o que é um abraço sentido
Um dia quero saber o que é um beijo verdadeiro
Um dia quero saber o que é ser a única
Um dia quero saber o que é ser uma princesa
Um dia quero saber o que é ser uma inspiração

Um dia quero saber o que é ser Amada....

sábado, 26 de abril de 2014

Um doce pesadelo

-“Queres ver coisas estranhas? Então vem comigo."

Segui-o. O quarto estava bastante escuro. Só se via o vulto da sua cama e do seu armário. Abre-o e tira de lá uma espécie de caixa. É preta, com adornos prateados. Começo a sentir um aroma estranho. Sinto-me desnorteada. Abre a caixa. Tira um baralho de cartas. Eram todas pretas com desenhos prateados com um texto por baixo.

-“Sei que és especial como eu. Pediram-me para te dar isto. Queres experimentar uma?

-“Eles? Quem? Nós, especiais?”

-“Sim, somos especiais. E tu mais tarde vais saber quem são. Agora não te preocupes com isso. Queres experimentar ou não?




* * *




Estava em casa a almoçar quando me tocam à campainha. Pergunto-me quem seria para me interromper a refeição. É a Isabella. Digo a ela para subir. Abro-lhe a porta e fico à espera dela. Deu-me um livro que lhe tinha emprestado.

-“Já viste as notícias hoje? Anda uma serial killer à solta!” - Pergunta-me ela, incomodada.

-“Sim, ouvi agora enquanto almoçava.”

-“Dizem que está aqui na nossa zona. Ela tem cara de maluca!”

-“Ai sim? Não percebi que ela estava aqui na nossa cidade. Também achei isso ao ver o retrato-robot dela.”

-“Vou começar a ter medo de andar na rua…”

-“Não tenhas. Eles exageram sempre.”

Mudamos de tema de conversa. De repente, entra uma sujeita no pátio do meu apartamento. Pergunta se podemos dar uma esmola. Digo que não tenho nada para lhe dar. Agradece e vira costas. Ignorei se ela tinha saído ou não. Continuámos a conversa. Vejo a sujeita com uma cara completamente alucinada a correr em direcção da minha amiga e espeta-lhe uma navalha no coração. Tira a navalha e foge. Apanho a minha amiga, teve morte imediata. Deito-a no meu sofá e ligo para o 112 e relato o sucedido. Vou à janela e vejo a cabra sanguinária no outro lado da rua a matar duas mulheres com dois bebés. Depois de ver o que fez, ri-se. Olha em direcção à minha janela e começa-se a rir cada vez mais.

-“Quem me dera que esta cabra morresse agora com um tiro na cabeça!”

Mal pronuncio estas palavras na minha mente, ela caí para o lado. Desci as escadas e fui ver o que se tinha passado com ela. Tinha um buraco na cabeça. Olho à volta e não está lá ninguém. Procuro a bala e também não a encontro. Volto para casa. A ambulância chega e leva a minha amiga. A polícia faz-me algumas perguntas e levam o corpo da serial killer. Começo a chorar. A tirar um lenço do bolso das calças, sinto lá qualquer coisa. Tiro o objecto estranho. Uma carta preta com o desenho de uma pistola a prateado. Lá escrito tinha “Mate uma pessoa com um tiro na cabeça, usando a sua mente”. O que é isto? Como é que isto foi parar ao meu bolso?

Tocam-me à campainha. Atendo, tremendo.

-“Sim?”

-“Angel?”

-“Quem fala? Como sabe o meu nome?”

-“Eu sei tudo sobre ti minha querida…”

-“Quem fala?!”

-“Abre a porta e vês…”

A voz era feminina e tinha um tom sarcástico. Desligo o intercomunicador e abro a porta. A voz provinha de uma jovem alta, branca como um floco de neve (parecia morta, até), olhos azuis muito claros e um longo cabelo negro. Tinha um enorme vestido branco e estava descalça.

-“Não a conheço. Fora daqui antes que eu chame a policia!”

-“Tem calma, minha pequena Angel. Não te vou fazer mal nenhum.”- Disse, rindo.

Penso na carta e nela em levar um tiro na cabeça. Ouve-se o som de um tiro e a bala atravessa a cabeça da jovem. Vê-se bem o buraco que a bala fez. A jovem olha para a sua testa e mete os dedos na ferida. Vê que está a sangrar bastante. Ri-se. Lambe os dedos cobertos de sangue. Quando voltei a olhar para a ferida, o buraco tinha desaparecido.

-“Isso magoa, sabes? Não se faz isso às pessoas que te querem bem, principalmente alguém que te vem ajudar!”-Diz, com um enorme sorriso na cara.

-“Como é que fizeste isso?”- Pergunto, completamente a tremer.

-“Fácil. Muito fácil.”

Tira uma carta do seu bolso e é preta. Nela tem um símbolo estranho a prateado e nela tem escrito “Imortalidade”.

-“Tu… Tu também tens isso?”

-“Eu disse-te que te vinha ajudar, não disse?”

Fico petrificada.

-“Estás com tanto medo de mim? Ou é disto?!”-Disse, baralhando um enorme baralho de cartas pretas.

-“Quem és tu e o que queres de mim?”

-“Sou a Amy e apenas te quero ajudar. Eles meteram uma carta em mim e metade do meu corpo está sob as tuas ordens.

-“Eles? Quem? E às minhas ordens porquê?

- Eu sou uma parte de ti. Fui criada com o simples propósito de te proteger. Sei todos os teus medos, todos os teus defeitos, todas as tuas fraquezas.”

-“Então sabes muito bem que não confio em ninguém.”

Ela começa a rir-se às gargalhadas.

-“Mas devias, visto que te obedeço. É como se fosse a tua irmã gémea que te segue cegamente.”

-“Como é que sei que isso é verdade?”

-“Manda-me fazer algo.”

-“Dá-me imortalidade.”

Amy hesita.

-“Lamento, mas não te poderei dar isso.”

-“Porquê?”

-“Mais tarde irás perceber o porquê. Não te esqueças, eu não te obedeço totalmente.”

-“O que tenho de fazer para que me obedeças totalmente?”

-“Tu irás descobrir isso. Eu é que não permitirei que isso aconteça.”

-“Vamos ver quem é a mais esperta.”

Volto costas, dirijo-me para a cozinha e continuo o meu almoço. Ela seguiu­-me e senta-se ao meu lado. Observa-me como se estivesse a estudar-me.

-“Isso incomoda-me. Pára!”

-“Como queiras, irmãzinha.”

A partir daquele dia, ela não me largava. Se ia a algum sítio sozinha, mais tarde ela estava lá. Conseguia sempre encontrar-me.

Estava deitada na cama com ela ao lado a cantarolar.

-“Amy …”

-“Diz.”

-“Vai debaixo da minha cama. Deixei cair lá uma coisa.”

Ela vai para debaixo da minha cama. Pego no baralho de cartas dela e tiro a carta de obediência total. Agarro no meu punhal e espero que ela saia.

-“Não está aqui nada.”

-“Então sai. Deve ter caído noutro lado.”

Vejo a mão dela a sair debaixo da cama. Piso-a com os meus dois pés, abro-lhe uma ferida na mão e ponho lá a carta.

-“Agora vais obedecer-me totalmente para o resto da tua imortalidade!”

A carta desintegra-se. Saiu de cima da mão dela. Espero que ela saia debaixo da cama para ver se correu tudo como eu esperava.

Ela levanta-se com um ar de raiva enorme. Curva-se perante mim.

-“Às tuas ordens, minha princesa.”

-“Porque é que estás assim?”

-“Tiraste-me a única liberdade que tinha. Satisfeita?”

-“Só assim tinha a certeza que não me irias matar.”

-“Se te quisesse matar, tinha-o feito quando te vi a primeira vez. E acho que não te tinha dado razões para desconfiares de mim.”

Sinto-me culpada, por um lado. Por outro lado, sinto-me segura. Sei que tenho total controlo dela agora.

Saiu de casa. Apetece-me dar uma volta. A caminho do parque decido chamá-la.

-“Amy!”- Bato na perna, como se estivesse a chamar um cão.

-“Estou aqui…”

-Estás atrasada.”

Chegámos ao parque. Deito-me na relva. Deita-se ao meu lado. Olho para o céu azul. Não há nuvens. Coisa normal em dias de Verão. Sinto uma picada no braço. Deve ter sido uma melga. Ignoro. Sinto outra picada. Ignoro de novo. Sinto um líquido a escorrer-me pelo braço. Era sangue. Vejo o meu braço cheio de feridas.

-“O que é que se passa?!”- Pergunta Amy num tom preocupado.

-“Nada…”

-“Como nada? Estás a sangrar!”

-“Cura-me.”

Ela tira uma carta e cura-me as feridas.

-“Minha princesa, o que é que foi isto?”

-“Aquilo que eu mais temia.”

-“O que é que queres dizer com isso?”

-“Há uns anos para cá, eu vivia noutra cidade. Lá tinha um grande amigo. Também tinha dessas cartas. Disse que éramos especiais. E experimentámos uma carta. Dizia: “O que quer que aconteça a um dos parceiros, acontece ao outro”, ou seja, se ele se ferir, eu também fico com a ferida. Quando eu vim morar para esta cidade, ele ficou a odiar-me. Ele deve estar a fazer isto para se vingar de mim.”

-“Agora sabes porque é que não podia dar-te imortalidade.”

-“Sim. Esqueci-me que aquela carta foi posta nele por mim. Existe alguma maneira de anular o seu efeito?”

-“Existe.”

-“Qual é?”

-“Matando-o.”

-“E se o matar, eu também morro?”

-“Não te preocupes com isso, minha princesa. Eu trato de o encontrar e de o matar.”

-“Quero ir contigo.”

-“Começo a busca?”

-“Já devias ter começado.”

Ela descobriu que ele ainda morava no mesmo sítio. Pego no carro em direcção à minha antiga cidade. Chegámos à porta do prédio. Estaciono e toco à campainha. Atendem.

-“Sim?”

-“É a Angel. Posso subir? Preciso de falar com o Leo.”

Abrem a porta. Subo as escadas até ao andar dele, com ela atrás de mim. Quem me abre a porta é um rapaz alto, com cara de poucos amigos.

-“Leo?”

-“Ele está no quarto. Diz que está à tua espera.”

Entro no quarto. Está escuro. Tem um aroma estranho. O mesmo aroma que senti a primeira vez que entrei naquele quarto. Estou tonta. Ele está deitado na cama. A cara dele é de raiva pura.

-“Vieste…”

-“Feriste-te de propósito para eu vir ter contigo, certo?”

-“E não só. Quero vingar-me! Abandonaste-me quando eu mais precisava de ti! Eu amava-te… E tornou-se em ódio!”

-“Eu não tive escolha. Tu sabes que fui obrigada a sair daqui!”

-“Não quero saber!Agora vais pagar por me teres feito sofrer tanto!"

-“Porquê? Tu sabes bem que tive de sair daqui ou era morta! Achas mesmo que iria ficar aqui?

-"Eu podia proteger-te! Eu, por ti, fazia tudo! Mas tu não quiseste saber... Preferiste virar-me costas e fugir, sem me dizeres nada... Sem me levares contigo..."

-"Não sabia que nutrias tais sentimentos por mim... Por favor Leo... Perdoa-me..."

-"Agora? Passados 10 anos é que me vens com essas histórias, sua puta desgraçada? VAIS MORRER!"

-"Não me parece...Amy!"

-“Sim, princesa…”

-“Mata-o… Sem dó, nem piedade!”

-“Às suas ordens!”

Agarra-se à garganta dele. Os seus olhos passaram de azul para vermelho. Transformou-se num demónio. Mata o Leo e o amigo dele. Sinto-me a desmaiar. Será que também vou morrer? Amy apanha-me e mete-me a carta da imortalidade.

-“Obrigado…”

-“Sempre às ordens, minha princesa.”

-“E… Desculpa ter-te posto a carta.”

-“Eu sei que te sentes culpada. Mas não faz mal. Até gosto de viver sob as tuas ordens.”

-“Não me abandones, por favor. Preciso de ti!”

-“Nunca, mas nunca farei isso.”

Adormeço nos braços dela.

Sinto-me a flutuar. Abro os olhos e vejo que estou a voar. Olho para cima e vejo umas asas enormes negras que surgem das costas de Amy. 

-“Vamos para onde?”

-"Para o sitio aonde nos esperam..."

domingo, 12 de janeiro de 2014

Opções

       Hoje é o meu 18º aniversário. Sinto-me velha. Desço as escadas, dirijo-me até à cozinha para tomar o pequeno-almoço tardio. Encontro a minha mãe, que me dá um abraço enorme de felicitações. Olha para mim e diz os anos passam a correr e para aproveitar a minha vida. Agradeço, viro costas, pego numa tigela, ponho cereais e leite e começo a comer. Mais tarde, aparece meu pai. Homem frio, apenas diz parabéns. Nesse aspecto, devo ser igual a ele. Não me importo que ele não mostre algum carinho por mim.
        Acabando os meus cereais, aparece a minha melhor amiga (melhor dizendo, minha única amiga). Deu-me os parabéns, com um enorme abraço e beijos. Primeira coisa que diz:”Parabéns!”. Segunda coisa: “Já podes ser presa!”…. Ok, passando à frente. Convido-a para almoçar comigo. Almoçámos. Repentinamente, minha mãe pára ao pé de mim e dá-me um embrulho enorme. Parece pesado. Diz que é a prenda dela e do pai. Nunca tinha recebido uma tão grande, nem mesmo do Natal dos meus avós dos EUA.
        Ao abrir, vejo que é um quadro. Um quadro diferente de todos os que já tinha visto. Fundo negro, tinha uma lua em quarto minguante branca, com três estrelas brancas alinhadas na vertical ao lado. Ainda pensei que as três estrelas pudessem representar o meu nome (Ana) mas deixei a hipótese completamente de lado. Guardei a minha prenda no quarto e voltei a descer.
        Estive com a Filipa até quase de madrugada. Foi-se embora. Decidi colocar o meu novo quadro. Ao coloca-lo, fiquei com uma sensação estranha. Passei a mão pela lua e pelas estrelas. Tinham um certo relevo. Fechei os olhos. Abrindo-os novamente, vejo-me sentada naquele quarto minguante e com as três estrelas à minha frente. Belisco-me para saber se estou a sonhar ou não. Parece que é a pura realidade. Não se ouve nada. Devo ser a única ser vivo neste estranho mundo. Mas sinto uma paz que nunca tinha sentido. Ver os meus pais a discutir estes 18 anos à minha frente fizeram de mim uma jovem revoltada. Começo a cantarolar a minha música favorita. Pequenas lágrimas começam a percorrer o meu rosto. Deitei-me. Ao erguer-me de novo, vejo que uma das estrelas sumiu. Alguém do meu mundo a roubou, penso. Preciso sair daqui. Mas como? A minha família nem se deve ter apercebido da minha ausência. E sinto-me tão bem aqui. O que é que eu faço? Se ficar aqui sozinha, morro doida. Se trago alguém para aqui, é capaz de não dar.
        Opto pela minha felicidade e pela minha paz ou pela minha morte lenta e dura por estar com aquela família a que nem sequer pertenço?